quinta-feira, 5 de abril de 2012

A CONDIÇÃO DOCENTE NA EDUCAÇÃO BÁSICA EM MINAS GERAIS E A COPA DE 2014: O QUE OS RELACIONA?


Caras professoras e caros professores,

Gostaríamos que dispusessem de um pouco de seu tempo para refletir conosco sobre um processo que vem ocorrendo no Brasil e, no nosso entender, lhes diz respeito diretamente, enquanto profissionais, em, pelo menos, dois aspectos. Tal processo liga-se à realização da Copa do Mundo de Futebol, mas não começa e tampouco termina com ela. O caso é que, mesmo que se tenha festejado a escolha do nosso país para sediar um dos mais suntuosos eventos esportivos do mundo, é preciso ver o que ele de fato aponta como legado para nós brasileiros.

Com relação ao primeiro aspecto da Copa que lhes diz respeito, professoras e professores, vocês sabem, melhor do que nós, que a qualidade da educação não começa nem termina dentro da sala de aula. Não é esse um dos motivos para que se reivindique melhores salários aos profissionais da educação pública?
Entendemos que a Copa do Mundo de Futebol vem aprofundar o processo histórico de arrocho salarial do professorado, uma vez que se está gastando bilhões, isso mesmo, BILHÕES, para a construção das infraestruturas exigidas pela FIFA que, além do mais, servem para produzir um modelo de cidade – do qual falaremos mais adiante – pernicioso para a maioria da população.

Quantas moradias, parques, ciclovias, praças, ginásios poliesportivos, teatros, escolas poderiam ser construídos com este dinheiro? Quantas reformas e aparelhamentos de hospitais? Quantas obras de saneamento básico, contenção de encostas e redução e prevenção às enchentes? Pode-se até realizar a Copa, mas ao invés de se gastarinutilmente com ela, poder-se-ia investir em promoção social. Quem vai dizer que o Mineirão ou o Maracanã, embora pudessem precisar de “ajustes”, não eram excelentes estádios?

O caso é que, quando se trata de atender aos interesses dos ricos, o dinheiro aparece, mas quando, por exemplo, professores empunham sua justa bandeira de melhores salários, os governantes de plantão alegam que o orçamento está apertado e que o salário pago é bom e é o máximo que se pode oferecer – além de acionarem a polícia para cumprir seu papel fundamental de reprimir as necessárias lutas do povo.

Tudo bem, a Copa pode não ser a responsável pelo arrocho salarial, mas lembremos que estamos falando de um processo que não começa e tampouco termina com ela. Quantos anos serão precisos para pagar estes volumosos gastos em aeroportos, sistemas de transporte, estádios (todos visando às demandas da Copa e não da população) e com isso manter o orçamento apertado de modo a não possibilitar aumentos salariais? E tem mais: além do estado arcar com enormes gastos (repisemos: todos visando às demandas da Copa e não da população. Lembremos: com dinheiro dos impostos pagos por toda a população, sobretudo os trabalhadores), a FIFA e seus parceiros foram agraciados com a isenção de impostos e a reforma e construção de hotéis receberão “incentivos”.

A propósito, o prédio onde funcionava o Ipsemg na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, foi alugado por 35 anos para um amigo do ex-governador mineiro Aécio Neves ao custo mensal de meros 15 mil reais. Pena que não há outra palavra, porque fica difícil chamar de custo quando se considera que são apenas 15 mil reais para explorar comercialmente um prédio daquele tamanho numa das áreas mais valorizadas da capital mineira.

O segundo aspecto, mais amplo, refere-se aos atingidos pelas transformações que as cidades-sede do mundial estão passando. Como principais atingidos, milhares de famílias estão perdendo suas casas para construção de sistemas de transporte para atender às demandas dos turistas do mundial. Vejam bem: brasileiros estão perdendo suas casas para o divertimento de estrangeiros! Dentre outros, há também os que trabalhavam no entorno dos estádios, vendendo desde camisas de times até alimentos, que não mais poderão exercer sua atividade de subsistência.

Vocês podem estar se perguntando: e o que a educação tem a ver com isso? Ora, quem são aqueles para os quais vocês dão aulas nas escolas públicas? Não são os filhos dos trabalhadores empobrecidos? Embora muitos de vocês possam não ter alunos vivendo este drama, lembremos, mais uma vez, que estamos falando de um processo que não começa e tampouco termina com a Copa do Mundo de Futebol e também não diz respeito apenas às cidades-sede do megaevento.

Por isso, vale corrigir: este megaevento tem servido, na verdade, para aprofundar um modelo de cidade que marca a urbanização em nosso país, isto é, modelo no qual o pobre não tem vez, a não ser, porque não tem outro jeito, para trabalhar – quando ele tem um trabalho, claro. É um modelo de cidade cujo sentido não é o de atender às necessidades e direitos da população, tais como saúde, esporte, lazer, moradia, educação, e sim auferir lucros para uma parte da população historicamente privilegiada – porque não dizer, é um modelo de cidade produzido pela e para a elite dominante.

Sendo assim, se observa que produzem a cidade demarcando espaços destinados exclusivamente aos ricos, com toda infraestrutura e conforto, enquanto os trabalhadores perdem seus lares e, por consequência, trabalho e laços sociais, ao serem mandados para longínquas periferias normalmente sem a menor infraestrutura. Os alunos estão dando muito trabalho na sala de aula? Mais do que nós, vocês sabem quem são eles e o que passam enquanto filhos de trabalhadores empobrecidos.

Por estas considerações, e por entendermos que educação pública e de qualidade exige salários dignos, manifestamos nosso total apoio à luta das professoras e dos professores em greve para que o governo do estado de Minas Gerais cumpra a lei do Piso Salarial Profissional Nacional (Lei n° 11.738/08).

Enfim, procuramos aqui apontar dois aspectos que imaginamos estejam relacionados com as condições de trabalho na educação básica pública, dentre elas a condição salarial, mas cremos que a questão vai muito além. Nesse sentido, que tal se vocês vierem conversar conosco sobre a Copa afim de elaborarmos juntos um entendimento sobre este megaevento que dialogue com a    realidade dos alunos? Ao final deste texto, consta nosso calendário de reuniões até o final deste ano. Sejam muito bem vindos!

Saudações de luta,

Comitê Popular dos Atingidos pela Copa 2014 BH


Mensagem aos Pais


Estarão os pais preparados para compreender o mundo do filho?

Educar é preparar o filho para a vida. A missão dos pais é fazer a felicidade do filho.

Ajude seu filho a ser feliz. É um ato que poderá conduzir os pais na difícil e laboriosa tarefa de fazer o filho feliz.

Aguardando o nascimento de um filho, os pais pensam em tudo.
Preparam o enxoval, escolhem o nome, traçam os planos a respeito do futuro do filho querido. 

No entanto a tarefa mais importante é preparar-se para educar o filho querido e fazê-lo feliz na vida.

Para educar é preciso saber amar, e no amor, muitas vezes se exigem dolorosas renúncias.

Não haverá jamais verdadeira educação sem a presença do autêntico e verdadeiro amor.

Verdadeiro pai e mãe são aqueles que podem construir a felicidade do filho. 

O maior tesouro que os pais podem legar aos filhos é a riqueza de uma vida cheia de amor e de uma educação sólida e bem orientada.

Preparando para a vida e para o amor, seu filho poderá vencer sempre. 

Sem o tesouro do amor e sem a riqueza de uma boa e sólida educação, ele será sempre pobre na vida, muito embora disponha de grandes recursos materiais.

Seu filho precisa de muito amor, de carinho, de compreensão e de segura orientação.

Dar, transmitir a vida e fazer o filho feliz é um milagre duplamente maravilhoso.Milagre que se realiza exclusivamente na vida de amor.


Reflita sobre isto. 

sábado, 31 de março de 2012

Verdade nua e crua da educação em Minas Gerais

Vejam o comentário que nossa colega Rosi Mary Mendes Trezena de Montes Claros acabou de me enviar.


É ou não, para nos indignarmos com a situação que muitos educadores estão passando aqui em Minas Gerais????


Cris, enquanto o governo manda a carta relatando inverdades, está aí uma verdade nua e crua.


Montes Claros, 21 de março de 2012.

Aos colegas da educação

Eu me chamo Rosi Mary Mendes Trezena, tenho 44 anos e resido em Montes Claros, Minas Gerais. Sou formada em filosofia e atuei como professora no período de 1998 a 2009 na rede pública estadual. Em 2009, fui acometida por uma doença grave (carcinoma mamária - CA) ao afastar para o tratamento conheci a triste realidade de um funcionário público estadual efetivado. De imediato tive o meu salário reduzido para 170,00 (Cento e setenta reais) mensal, o que corresponde as duas aulas que efetivei, mas estava na ativa com 13 aulas. Atualmente, com o subsídio “melhorado” estou recebendo 153,00 por mês. Como vocês sabem bem, o tratamento mesmo realizado pelo SUS tem gastos extras para complementação (alimento, remédios, etc.). Diante de tal situação, abri um processo no Conselho de Administração Pessoal – CAP, fundamentado nos direitos do servidor público que garante o salário integral em caso de doença grave. Foi julgado procedente e publicado no Jornal de MG, no dia 28 de Junho de 2011. Porém, a Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado recorreu e minhas expectativas foram frustradas, o Estado ganhou a questão. Enviei uma contra razão ao Excelentíssimo Senhor Governador que acatou a decisão final. Em seguida, fui liberada para voltar ao trabalho, mas com ajustamento profissional, ou seja, fora da sala de aula, pois não consigo mais escrever. Não trabalhei nem um mês e a doença atingiu o baço, fígado, abdômen e pulmão. A minha indignação é: será que sou cidadã somente quando estou com saúde e na hora de votar? Eu sempre acreditei no senso de justiça de Deus e dos homens, mas confesso que hoje, ainda sobrevivo pela justiça de Deus que se faz presente em cada colega que envia doações espirituais e materiais que sustentam também minha mãe e meus dois filhos de seis e onze anos.


Portanto, sinto a necessidade de expor a minha situação para alertar a todos os colegas que efetivaram. Seremos sempre vistos aos olhos da lei pelo número de aulas efetivadas, não importa que estejamos trabalhando com treze ou dezoito aulas, quando buscarmos algum recurso ou aposentadoria teremos as aulas efetivadas como parâmetro dos nossos benefícios. Hoje, agradeço a Deus por cada momento de superação em cada quimioterapia, pelos amigos, colegas, que mesmo com a difícil situação salarial do professor, estes têm contribuído para que eu tenha o mínimo necessário para sobreviver.
 
E deixo a minha mensagem aos políticos, que elaboram e fazem cumprir as leis: o povo carece de justiça dos homens, que Deus abençoe a todos.


Obrigada! 

Rosi Mary Mendes Trezena 



comentários:

  1. Rosi Mary, estou sem palavras diante de seu depoimento!

    É um ABSURDO isto que o governo de Minas Gerais está fazendo com nossos educadores, em especial com você!!.

    Na hora em que mais precisamos, não temos onde recorrer.

    Receba minhas orações e continue com esta fé que Deus continuará te amparando. Este sim não nos abandona jamais!!!

    Que seu depoimento sirva realmente de alerta para todos nós, e que a sociedade e os pais saibam o quanto sofre um educador em MG.

    Não é que eu deseje o mal para ninguém, mas este "povinho" que está fazendo tanto mal para tantos educadores, vão pagar por tudo!!!

    Que Deus a ilumine e abençoe sempre!





    Rosi Mary, que Deus te abençoe, estou comovido com a insensibilidade (não sei se esta seria a palavra certa) deste governo.

    Vou passar a colocar você em minhas orações.

    Prof. Rinaldo
    Carandaí/MG



    1. Rosi a indignação pelo que o governo de MG está fazendo com nós educadores e de deixar qualquer ser humano alarmado, são mentirosos, sempre vivemos a desvalorização o desrespeito em todos os governos mas o de Aécio e o desse atual foram os piores que tivemos.Ha você companheira de luta desejo muita esperança, fé e que dias melhores vivão creia no divino pai eterno.
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    2. Rosi Mary, estou comovido com o seu depoimento. Por favor, informe como poderemos ajudá-la, com doações.
      José Carlos
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    3. José Carlos, agradeço imensamente a todos os colegas em especial a você, o professor Eule, a professora Cris pela manifestação em pensamento e em publicar o meu depoimento.E só peço aos colegas que coloque o meu nome em suas orações.Sei que Deus operará em mim através de todos voces.
      Mais uma vez o meu muito obrigada|



AULA DE MATEMÁTICA



 Vou passar alguns probleminhas práticos para vocês resolverem. 
 
 
 
Problema nº1 
 
 
Um professor trabalha 5 horas diárias, 5 salas com 40 alunos cada. Quantos alunos ele atenderá por dia? 
 
Resposta: 200 alunos dia. 

Se considerarmos 22 dias úteis. Quantos alunos ele atenderá por Mês?  
 Resposta: 4.400 alunos por mês. 
 Consideremos que nenhum aluno faltou (hahaha) e, que em cada um deles, resolveram pagar ao professor com o dinheiro da pipoca do lanche: 0,80 centavos, diárias. Quanto é a fatura do professor por dia? 

 R: 160,00 reais diários 

 Se considerarmos 22 dias úteis. Quanto é faturamento mensal do mesmo professor?  
 R: Final do mês ele terá a faturado R$ 3.520,00. 
 


 Problema nº2 

O piso salarial é 1.187 reais, para o professor atender 4.400 alunos mensais. Quanto o professor fatura por cada atendimento? 
 

 Resposta: aproximadamente 0,27 mensais  
vixe, acham que valemos menos que o pacote de pipoca)... continuando os exercícios... 



 Problema nº3  

 Um professor de padrão de vida simples,solteiro e numa cidade do interior de goiás, em atividade, tem as seguintes despesas mensais fixas e variáveis : 

 Sindicato: R$12,00reais  
 Aluguel: R$350,00reais ( pra não viver confortável)  
Agua/energia elétrica: R$100,00 reais (usando o mínimo) 

 Acesso à internet: R$60,00 reais  
 Telefone: R$30,00 reais (com restrições de ligações)  
 Instituto de previdência: R$150,00 reais  
 Cesta básica: R$500,00 reais 

 
Transporte: sem dinheiro  
 Roupas: promocionais  
Quanto um professor gasta em um mês? 

Total das despesas: R$1202,00 

 Qual o saldo mensal de um professor?  
 Saldo mensal: R$1187,00 - 1202= -15 reais, passando necessidades 
 


Agora eu te pergunto:  
 - Que dinheiro o professor terá para seu fim de semana? 
 - Quanto o professor poderá gastar com estudos, livros, revistas, etc. 
- Quanto vale o trabalho de um professor?? 
 - Isso é bom para o aluno??? 
 - Isso é bom para a educação pública do Brasil?? 
- Isso é bom para os seus filhos por serem instruídos com esses professores?? 
 


Agora olhem a pérola que o Sr. Marconi Perigo de Goiás disse:  

 " Quem quiser dar aula faça isso por gosto, e não pelo salário. 
Se quiser ganhar melhor, peça demissão e vá para o ensino privado " 

 
Marconi Perigo - Governador de Goiás 


SE VOCÊ ACHA QUE O GOVERNADOR DEVE ABRIR MÃO DE SEU SALÁRIO E GOVERNAR POR AMOR, PASSE PARA A FRENTE!. 

 
CAMPANHA 
 
 "Doe seu SALÁRIO e governe por AMOR !" 

 Vamos espalhar isso aos 4 ventos e aumentar a campanha: 

DEPUTADOS FEDERAIS E ESTADUAIS, MINISTROS, DOEM SEUS SALÁRIOS E TRABALHEM POR AMOR!

quarta-feira, 7 de março de 2012

sábado, 11 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Governo mais uma vez desrespeita os educadores

Vejam como o governo deixou realmente transparente o novo modelo remuneratório dos educadores!!!
Ele só esqueceu de nos avisar como disse nosso colega Euler que seria também invisível.....

Estamos sem PISO e sem saber quanto iremos receber....

Grande forma de incentivar e valorizar o servidor esta que o  governo Anastasia implementou em MG!!!

Durante todo o dia o assunto,ou melhor, as perguntas não poderiam ser outras entre os educadores:

"Quem conseguiu acessar o Portal do Servidor e ver o contracheque??"

"Você viu seu contracheque???"

Confesso para vocês que não tive a princípio,nem coragem de ver, porque estou tão chateada com este roubo que sofri com o aval da justiça(?!?!) que para mim qualquer valor diferente de PISO não me satisfaz e vai me fazer ficar mais deprimida ainda.

Mas depois de tantos twitteres, telefonemas de colegas, leitura no blog do Euler, não me contive e comecei a árdua labuta para ver um simples contracheque , mas somente agora às 21:30h foi que consegui ver isto que está acima.

Parece brincadeira!!!!Mas não é!!!
Esta é a dura realidade que estamos vivendo: massacres, assédio moral pelo governo , desrespeito e humilhação de um profissional que não fez NADA além de lutar pelo que determinava uma lei!!!

É um ABSURDO!!!!

Vamos ver até onde este (des)governo vai tentar nos agredir...

Ele está cutucando a onça com vara curta como já dizia o ditado!!.....